Golpe de Misericórdia

Com certeza, a mente humana é a maior riqueza e a maior pusilanimidade que teremos na vida. Sucessos e fracassos atacam o centro, e sem saber lidar com o passado, o presente e o futuro, o indivíduo fica à sua própria mercê: Como dito alhures, nada nem ninguém tem tamanha faculdade de atacar o individuo em seu singular do que ele mesmo.

Um personagem já abordado neste meu espaço, qual seja, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é um exemplo maior, de quando uma pessoa se corrói de dentro para fora, e utilizo uma citação publicada por Gilson Caroni Filho, de Freud em seu livro “Luto e Melancolia”, sobre melancolia, que se caracterizaria “por uma depressão profundamente dolorosa, uma suspensão do interesse pelo mundo externo, diminuição do sentimento de auto-estima e inibição de todas as atividades.”

Falar mal de Fernando Henrique Cardoso a esta altura dos acontecimentos, remete a chutar cachorro morto, tendo em vista que os companheiros de militância política do ex-presidente o tratam como o incomodo parente que vive escondido num cômodo obscuro pela vergonha que causa à família.

Ocorre que o personagem central desta fábula, andou a publicar textos em jornais defendendo que o Governo Lula tem em seu sucesso a causa de suceder o Sociólogo que em suas obras defendia a subordinação do Brasil aos Estados Unidos como solução para o desenvolvimento. O ex-presidente em nenhum momento fala da questão de Chefia de Estado, exercida por ele como quem não respeita a sua própria língua, e tira os sapatos em submissos vexames. Também não fala de crescimento econômico, nem em enfrentamento de crises.

Outrossim, a quantidade de deturpações da realidade que foi capaz o personagem, demonstram um sentimento profundo de solidão e de culpa, e principal, de inveja. A maior dor do personagem é perceber que em verdade gostaria de ser o apedeuta por ele sempre desprezado, tratado como gente pequena.

A verdade, é que com certeza, o Governo Lula não teria sido o que foi sem Fernando Henrique Cardoso. Não pelos seus méritos, mas sim por suas falhas, incapacidades, por este ter sido um presidente que sofreu de oligofrenia administrativa: debilidade, imbecilidade e idiotia.

O argumento da oposição não possui base em fatos, mas em ilusões. Já defenderam que o Governo Lula utilizava a política macroeconômica e fiscal do Governo FHC – uma grande deturpação, pois a incompetência do Governo PSDB fez com que o Brasil se curvasse ao FMI mostrando o reto para o povo – Conseguiram que nosso país perdesse a soberania – A dita política do PSDB foi aplicada mediante imposição de credores – que após o governo do metalúrgico se tornaram nossos devedores…

Outras deturpações são visíveis. Fala-se das privatizações como algo positivo – quando o factual demonstra o contrário. Só no ínterim de telecomunicações e mineração, pagamos a 2ª tarifa de telefonia mais cara do mundo, enquanto estas lucrativas empresas são líderes de reclamações de consumidores, e se furtam de investir segundo os interesses do estado, firmados em contrato; A Vale do Rio Doce anda recebendo investimentos que correspondem a 0,5% do seu valor de mercado, e que nominalmente equivalem ao seu valor de venda nas privatizações  dividido por seis – que a toda industria ocorreram no “limite da irresponsabilidade”.

O nefasto nas privatizações vem no ultimo exemplo citado, principalmente por a empresa investir no lucro imediato, nas exportações de minério de ferro, e não agregar valor com o trato siderúrgico, que reclama investimento, e dá lucro a longo prazo – mas cria empregos e desenvolvimento.

Fernando Henrique Cardoso merece solidariedade e respeito, pois até mesmo a crise de seus sonhos, foi um meio de glorificar a intervenção do Estado na economia, com os investimentos recordes das estatais movimentando a industria, com os bancos públicos suprindo a falta de oferta de credito, com o BNDES tendo em sua atuação polemica se tornado o terceiro maior banco de fomento do mundo. Enquanto isso, o único período dos dois séculos de história do Banco DO Brasil em que este não gerou lucros, foi com o Presidente que não assume os filhos.

Descanse em paz.

Já careca, ficando velho.

Hoje eu faço vinte oito anos, ainda com esperança de ter ciência do que é viver, do amplo gama de aprendizado que há por vir, que clamo. É uma data de tantos significados, muitos asteriscos.

Eu nasci no dia de fundação do Santa Cruz. Clube rival do meu time, o qual sou sócio patrimonial em dia, fanático. Sinto pelo Santinha, na 4ª divisão, e que há de jogar o Clássico das Multidões. Triste sina.

Também é infelizmente período que lembra a despedida de um dos mais carismáticos artistas nossos, um ser de uma energia e presença ímpares, marcantes, absolutas.

Minha família (meu tesouro), as melhores recordações. Acreditar no ser humano, ser realista e desejar o impossível – isto me basta.

Eu tive muita sorte, aproveitei muito menos oportunidades do que tive, e sou feliz por ainda poder ter tantas. Graças ao onipresente homenzinho invisível, ainda há paixão neste mundo.

Saudações Fraternas.

Minha futura ex-esposa

Ela com certeza é sedutora – e toma a minha atenção de toda forma. Algo que vale tanto a pena, que mesmo o sofrer do fim vale o infortúnio: Melhor a experiência dela existir do que o sofrer da lacuna.

Ela sabe amar – sabe dar, sabe buscar e cobrar. Domina com a sensibilidade típica do feminino o que há de vir. Abre espaços para o sonhar.

A crise de abstinência da futura ex-esposa é o maior sofrer. Não pela idealização ou pelo momento, mas sim por causa do som da respiração, do tremer das bases, do calor incomodo de dormir colado que aplacado pela saudade apenas faz com que nos sintamos tolos.

Mas neste particular, muito esperto é quem finge que é bobo, e respira livre o ar que murmura que o sol não é a única fonte de calor, cansaço e sono. Ele é a razão para acordar.

Moça Bonita (a todo transe e indústria)

Simplesmente, ela com o pandeiro era a atração. Tanto dos olhares curiosos dos que caminhavam, quanto o meu foco (este fato já tinha ocorrido em outra temporada). Foco daqueles que fazem o olhar parar enquanto a fascinação paira em sinapses, como quem consegue ter a sensibilidade de se chocar ao apreciar uma obra de arte.

Ela conseguiu me fazer conhecer culpa por ter em volume escrito aqui no blog a expressão – que eu gosto extensamente – “transe e indústria”, em outros textos…

Mas este é o tipo de coisa, que provavelmente ela nunca saberá...

Entendendo Obama

Barack Hussein Obama II é antes de tudo um ser controverso. Nascido num estado pouco significante, de origem nem de longe de tradição anglo saxã – com nome Hussein, nascido em Honolulu, Presidente Democrata.

Não é factível esperar missão fácil de quem há de suceder Bush: Guerras no Afeganistão e no Iraque, crise mundial, e ser alguém de quem tanto se espera em face a uma sociedade conservadora, é pedir um resfriado na nevasca.

O modelo Americano de Democracia, é extremamente tangido pelo soar do berrante: CAPITAL. O lobby a todo transe, modo e prática move os políticos, clama o sistema. O maior desafio do Presidente Negro é a tentativa – reitere-se: ‘tentativa’ – de criar um sistema de saúde público e abrangente. Política esta que Clinton falhou, e que Obama encontra adversidades, dificuldades, e implacáveis lobbys de seguradoras.

A maior diferença, é que o país Yankee cede ao congresso um poder consagrado pela teoria dos “check and balances”. Nada pode Obama sem o apoio do Legislativo. O seu Nobel da Paz é Capital Político do apenas não prosseguir nos planos do Império Americano.

Governar é a arte do possível – quem o critica pejorativamente ou é ignorante das motivações de sua pátria, ou tem mão com malícia.

tendo somente ciúmes do sol

meus ouvidos pedem o teu canto

ansioso por fazer cafuné

tua cabeça, meus ombros está à aguardar.

espera do bronze de tua pele dourar meus lábios

O Presidente que falou “merda” (tirar o povo da merda)‏

Eu sinceramente não entendo como a oposição à Lula repercute o Presidente ser viceral e dizer: “Quero tirar o povo da merda em que ele se encontra”. A mídia se choca com realidade, e prefere rogar a “Liturgia do Cargo” tão bem seguida por José Sarney, para dar lição de moral (quem consegue entende-la?). Mas apenas concede a opção para que Lula seja grandioso, pois em face de difatório artigo da Folha de São Paulo, vaticinou que eles iriam repercutir a palavra dita, embora o apedrejador falasse muito mais palavrões diariamente. É simples fato.

Até digo, que a imprensa repercute a frase muito menos do que deveria, pois tal frase reforça a figura de Lula como o “Presidente de Todos”, do povo, do comércio, da indústria, das universidades, dos Centros Técnicos Federais, do proUni, do bolsa família, do Mercado Financeiro, da Bovespa batendo recordes, do FMI dever para conosco – e não o inverso, do protagonismo internacional, de Obama: “ele é o cara”, da Petrobrás, do Pré-Sal, do PAC, de Zapatero se derramando em elogios à ‘personalidade do Ano’ eleita pelo El País (que o consolara no calor da vitória da disputa pelos jogos Olímpicos), dando prestígio ao nosso país – suficiente para também sediar uma Copa do Mundo. Este é “o cara” que senta ao lado da Rainha da Inglaterra, e que Assombra.

O Primeiro Ministro Espanhol arrematou a questão de nossa sucessão. Lula assombra de modo e prática que o pesadelo da oposição submerge em alagações de provas gravadas em vídeo, e à disposição de todos. A oposição começa a achar melhor que o tempo passe rápido.

Eles insultariam se comparados, a memória de Nero. Pisoteiam estudantes, tal e qual a uma “democracia chinesa”.

Vida

Li no Blog de meu tio Sérgio, e vi o fim do ano emoldurado por estas letras:

Tua caminhada ainda não terminou….
A realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida necessita
de tuas palavras
e do teu silêncio.

Se amanhã sentires saudades,
lembra-te da fantasia e
sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória que surge da paz
e não do ressentimento.

É certo que irás encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá de ver sempre
o lado bom da chuva que cai
e não a faceta do raio que destrói.

Tu és jovem.
Atender a quem te chama é belo,
lutar por quem te rejeita
é quase chegar a perfeição.
A juventude precisa de sonhos
e se nutrir de lembranças,
assim como o leito dos rios
precisa da água que rola
e o coração necessita de afeto.

Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás…
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te.

Charles Chapplin

Nossos Juristas dançam como bailarinas italianas.

O caso do italiano Cesare Battisti atinge de maneira direta a dignidade de nossa Justiça. Em um mundo de Guerra Fria, os seus atos eram políticos. O Brasil possui tradição de conceder refugio político tanto a elementos de direita, quanto de esquerda, e Juiz nenhum deve ousar julgar se um elemento será um Mandela, ou um Pinochet – a realidade histórica de outro país deve ser julgada por sua própria memória, por seu povo. Lula que o diga.

Seria cabível adentrar em aspectos cruciais, como as leis de excessão na Itália, sobre as provas que existem contra o réu (apenas a delação premiada de seu chefe), sobre a questão da revelia. São inumeras as características que apontam perseguição política, em todos os níveis processuais.

O que mais arde em meus olhos, é que eles não consideraram atos políticos, os atos que um réu julgado a revelia, em momento de lei de excessão, atos com a finalidade de tomar o poder, ocasionar um Golpe de Estado, ressalto. Para demonstrar os valores de nosso judiciário, cabe uma analogia com o seguinte filme chileno:

Enfim, o mundo era completamente diferente. Acho que o Código Comercial do século XIX, que regulava a venda de escravos até 2001 não foi substituído anteriormente por saudosismo de nossos juristas…

A verdade, é que a função de chefe de Estado foi invadida pelo STF, com a clara intenção política de atingir o prestígio e causar embaraço ao Presidente Lula. Este, não poderia dar simplesmente maior lição em retorno, do que evitar uma crise institucional, sendo um estadista:

http://mais.uol.com.br/view/381777

Lirismo Psicodélico

Buscando por poesias, li no blog de Willian Rosa – o qual naveguei por um agradável acaso – o seguinte “Soneto XVII”:

Soneto XVII
Pablo Neruda

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

É o tipo de sentimento em ler algo tão belo, que deveria vir com o aviso “aprecie com moderação”

A vida é bela

Apesar de tudo…

“Mime versus Junkie” é uma curta metragem, produção da Vancouver Film School.

Autocrítica (para mim e para ti)

O “Bode Expiatório” é um termo originário das tradições hebraicas, quando um animal era deixado só na natureza selvagem, como parte das tradições do Yom Kippur. Este fato ocorria no Dia da Expiação, à época do Templo de Jerusalém. Hoje em dia este termo é utilizado para designar alguém escolhido aleatoriamente para ser culpado por algo que não tem culpa. Este termo ainda possui outros significados em face ao Torá, e à tradição cristã, sendo vista por esta última como um prenuncio da chegada de Jesus no mundo – “Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós”.

“Boi de piranha” é uma expressão que vem da criação de gado e da vida do vaqueiro. Quando este precisa levar a manada a cruzar um rio infestado de piranhas, utiliza o boi mais frágil ou doente e o atiram sangrando ás águas. Enquanto o cardume de piranhas é atraído pelo odor do sangue, o restante da manada atravessa sem perigo.

As pessoas neste mundo não sabem lidar com a culpa, com a frustração, e comumente para aquilo que mais lhe é conveniente utilizam esta pratica hipócrita para aplacar conjunturas e conformidades.

O ser humano muito evoluirá quando aprender que num estágio inicial de evolução, busca culpar a terceiros, num intermediário, a criatura se culpa. O evoluído não culpa ninguém, e consegue seguir em frente com a cabeça erguida.

ARTHUR VIRGÍLIO recebe o “Troféu AGRIPINO MAIA”

Não nutro simpatia pelo Senador Renan Calheiro, ex-Ministro de FHC, e que teve recentemente enquanto ocupava a Presidência do Poder Legislativo a sua vida publica e pessoal reviradas pelos Frias, Marinho, Civita, Papagaios Afins, e pela DIREITONA BRASILEIRA (DEM, PSDB).

Ele é o típico coronel que tanto cria chagas a cada Estado do Nordeste, que tem suas bases de poder e aliança local, e que há mais de uma década não larga o osso do governo. A referência título “Trofeu AGRIPINO MAIA”, é referência a outro conhecido coronel, porém mais condizente com a sua história iniciada no berço da ARENA, e que qualifica a conduta comum dos aurautos do apocalipse, que torcem contra o mais bem aprovado governo do globo.

Pois então, que em reflexo a uma afirmação pretérita de Renan Calheiros, Arthur Virgílio bufa:

“Eu acho que é dever do senador Renan Calheiros , sob pena de prevaricação, declinar o nome do senador. Temos que começar a aclarar as coisas, porque é um absurdo que alguém mantenha um presidiário vivendo à custa do Senado”

E assim se vê mais uma vez que o dito cujo Senador era o Marco Maciel, Vice-presidente de Fernando “esqueçam tudo o que escrevi” Henrique “aposentado é tudo vagabundo” Cardozo. Se durante a crise envolvendo Sarney ninguém ouviu um piu do senador Marco Maciel, agora é que não ouvirá mesmo. Segundo a assessoria do nobre Senador, o servidor João Paulo Esteves Coutinho era lotado em seu gabinete.

Os fatos arrematam cristalinamente que o ponto de freqüência foi falsificado e gente do PFL, parente do apenado, recebeu o seu salário através de procuração de 1991 a 1996. Maciel afirma não ter notado a ausência do funcionário. Alguém se lembra de professor de jiu-jitsu e de curso no exterior?

Se esta oposição tupiniquim tivesse um “Gran Cuñado” satirizando…

Vamos rir?

Pena de quem nunca passou por isso

  • Um poema de amor

Charles Bukowski

todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.

sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.

todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

Caixa de fósforos

Poucas coisas conseguem desarmar o meu alvo. Nas conversas mais tensas e dissonantes, é onde o debate me dá o maior prazer, quando ao fechar das cortinas, não há para onde fugir, quando uma inteligência e um desapego à convicção pura se casam.

Infelizmente, em amplo e absoluto, quanto mais uma criatura sabe o tamanho da inteligência que tem, menos consegue ter abnegação. É um lamento meu, um clamor por pessoas inteligentes e humildes.

Para falar a verdade, é como se eu quisesse ver em cada pessoa um poeta que entoa seus versos em companhia de uma caixa de fósforos. Cartola e Leci Brandão expressam bem este particular:

Quanto mais eu conheço a grande Mídia e o PSDB, mais eu gosto de cães.

Eu não gosto do PSDB – acho em verdade o PSDB até pior do que o PFL. Os Democratas, todos sabemos que são um agrupamento de Políticos oriundo da ARENA, nós sabemos do que são capazes. Mas o PSDB, é de gênese PMDB de São Paulo, do partido daqueles que eram apenas uma dissidência entre “os heróis da redemocratização”!!!(?)

Tem certas coisas, entretanto, que o tempo mostra um aprendizado no estágio falho: O Plano Real foi ótima idéia, e de capaz aplicação, com ótimos índices nos dois primeiros anos; tivemos alguns abalos, mas íamos bem. De repente, me lembro da segunda campanha eleitoral de FHC, a segunda que ele venceu no primeiro turno, percebo que Lula dizia que “O Plano Real era eleitoreiro”.

Naquele momento, eu não compreendia como hoje, que não eram apenas as crises internacionais, e a herança maldita dos militares, Sarney, e Collor (razões bradadas por toda a imprensa na época para a estagnação, sucateamento do público, crises e privatizações), mas principalmente ter mantido artificialmente por quatro anos o cambio entre o Dólar e o Real em paridade, e artificialmente, o que causou todo aquele problema economico no Brasil.

As enchas e chegadas do capital especulativo brincavam de explorar o lucro sobre a paridade, criavam-se dívidas em títulos que tinham logo de ser saldados. Mais dinheiro saía em maior volume do que entrava, por nossos juros exorbitantes, e quem pagava por não utilizar a lei da oferta e procura era o Estado.

Como eu dizia, FHC acusou Lula de liberar o cambio se ganhasse, mas ao ganhar, foi ele que o fez. Você saber que uma coisa é necessária, e a postergar para que sua turma lucre junto aos gringos em detrimento do Brasil, mostra mais do costume e do estilo de Fernando Henrique Cardoso do que chamar os aposentados de vagabundos? Mesmo se você que chamou tem duas aposentadorias?

Hoje, quem acompanha e se informa através da blogsfera, sabe que Serra dinamitou a candidatura de Roseana Sarney, e sabe também que este entrevero todo com o José “sou nome de todo tipo de lugar no Maranhão” Sarney é apenas mais uma prova da inimizade do ex líder estudantil José Serra, com José Sarney. Serra precisava ser o único candidato viável da direita, então a mídia e a Polícia Federal deram uma batida e armaram o circo por gente podre de rica e poderosa ter dinheiro no cofre da empresa.

Neste particular, ressalto, o ônus da prova é de quem acusa… Quem acusa é que tem que provar que há ilícito, e ter dinheiro quando se é muito rico e poderoso não é crime (a gente vive no Brasil né?). A Polícia Federal era utilizada para combater adversários políticos, enquanto hoje tenta prender “probres” banqueiros condenados por tentativa de suborno (eles só queriam que parassem de investigá-los, estavam descobrindo muita coisa, e isto é chato, oras!)

O que me deixa feliz e orgulhoso, é no momento conseguir ver que Lula e o PT não vão bronquear com Marina da Silva e tentar lhe impedir de sair, ou retaliar tirando o seu mandato de Senadora. Eles vão nos permitir ter o sonho de um segundo turno sem Serra e o PSDB.

Músicas de minha infância

Em casa, recebemos nossas primeiras influências musicais, e dentre as minhas melhores, está o Bolero de Ravel – composto por Maurice Ravel, foi tecido inicialmente para um ballet. No lúdico de minha infância, sempre que ouvia esta música, imaginava qualquer aventura. Meu irmão mais novo (Daniel) chama esta música de “a música de Digimon”. Enfim, apenas uma breve divagação:

O seu característico e constante ritmo, a sua crescente, enfim, esta obra é perfeita para mim.

Poema sem título escrito para a primeira namorada

Em volume, tinha saudade da amada
Dor, moléstia extensa, ele sentia
Essencial como o sol, lhe arrematava
Por lacuna, a doce flor não existia

Em sonho ou transe, ele a aguardava
A presença da paz que lhe transmitia
Compleição da querida e desejada
Pela fleuma, sentido que bastava

Entretanto, demonstrou sertão e ilusão
Vago devaneio a saudade
De valor, atribuído em particular
O retorno, ratificou a agonia
Não havia o que tanto ansiava

Imaginação, em singular apenas – constatou
Cristalizou apenas utopia
Longos anos, em areia transformados
Não sabia, que em outrem, a si buscava
Preservou os seus princípios, persistia
A vontade que no mundo rareava

O Meu problema com o jornalismo político

A arte em ser chato, tem uma coisa indigesta: é masoquista. Mas não necessariamente é algo inútil. Você pode, por exemplo, se irritar a cada dois anos quando temos eleições, e tudo o que noticiário passa, presta um anuncio que condiciona a chamada “linha editorial”, em face de interesses políticos.

Em real e concreto, a distribuição de contratos, empresas, instituições, os acertos confidenciais e todo tipo de verba pública entra no esquecimento. Irrita perceber que chegamos a determinado ponto, aonde publicar ficha policial falsa de presidenciável acontece, assim como veículo tradicional de informação servir a interesses é factual. Dá gosto de embaraço, jantar e perceber que o maior acidente da aviação não foi noticiado no principal telejornal, passou em branco em face às fotos do “delegado”, que vazou informações supostamente em favor da oposição, perplexa pela alternância de Poder. Em outro momento, os ditos “vazamentos” são utilizados como forma de desclassificar um Delegado, que combateu e enfrentou esquemas vulgares, atrozes e asquerosos. Por que votar em Serra? Qual o Problema da Oposição?

Renan Calheiros foi Ministro do Governo Fernando Henrique Cardoso. Sarney foi presidente do Senado outrora, esta é a segunda vez que ele preside o Poder Legislativo. Já Presidiu o Executivo. De repente, em certos momentos, eles viram os inimigos da Justiça, da Republica e da Nação. De Ditabranda já se tentou, de “apagão” aéreo se falou, mas não no custo do “apagão elétrico”. Pouco destaque ao relevo obtido por um ex-retirante, siderúrgico, líder sindical, deputado constituinte, Presidenciável, Presidente, e como eu dizia, premiado pelo braço da ONU, UNESCO – que em outros anos gabaritou gente como Jimmy Carter e Mandela. Alguns ladram que Lula é bêbado, outros que é um “apedeuta”. Mas outros dizem que ele “é o cara”, e senta ao lado da rainha, pois você sabe, os que ladram acham disso piada, e coincidência.

Acompanhar a blogsfera, e o twitter (vou ter que entrar nisso, mas prometo que só após organizar o blog, leia-se postar com freqüência), já se tornou importante para estar bem informado. E ganhou outra dimensão, com o contraditório pleno, em alguns momentos, um fla-flu patético. Mas sobretudo útil. A internet tomou uma dimensão estranha, aonde cada um pode aderir a alguma vertente do jornalismo, desde o jornalismo de esgoto, da ausência de lexotan nos jardins, ao biscoito fino e a massa, ou quem sabe com persistência, gerando comunidades valiosas. Não consigo retirar o caráter da comunicação social ter como genérico o termo “jornalismo”.

O cidadão informado, antes de começar a se informar, deveria entender como se deu a formação das empresas jornalísticas, principalmente no tocante a jornais e televisões, e a quem eles representam.

No Brasil, os blogs já foram condenados, e já estão a caminho de reiterar este fato. Já desmascararam a imprensa, e criaram movimentos populares.O twitter também já pariu aberrações. Mas a questão, é se lá fora já são tão importantes, e estão na mesma direção por aqui – a situação dos veículos tradicionais de comunicação por aqui devem sofrer o mesmo problema que padecem por lá.

A verdade, é que a minha chatice me dá a certeza de que a mídia ainda não sabe que está decadente.

Depois acrescentarei mais links e referências.

pior de tudo

O pior de tudo
É que eu estou incolume
Sem pressagios e sem perseguidores
Me sinto seguido
Mas não sentido
Querido, quisto
Mas não amado
Visto, vívido, mas não clamado
E sim sofrido
Poesia sem sentido
Sem chamado

Ditabranda: A Folha tem razão!

Lanço o presente texto, pondo em foco que todo regime de Estado, que assente os direitos democráticos individuais ao segundo plano de importância, é uma demonstração de lascívia demoníaca e sordidez humana. Não venho através do meu teclado bufar qualquer lógica irreal.

O que me espanta, em claro e total, não é a tipificação utilizada pelo jornal da família Frias. Em verdade, escrevo em espelho a todos que se indignaram.

A maior parte da Blogsfera, trata o caso como quem diagnostica uma rara doença. Um Blasé de quem detecta focos de Gripe Aviária na Barra da Tijuca. A questão que deveria ser central, qual seja, a linha editorial do jornal da Família Frias, que continuamente expõe um plano de pensamento, não é casuística – É transparente e concreta.

Assim, ao momento em que o auto proclamado “Isento” jornal despe a sua hipócrita máscara, deveríamos não demonstrar indignação, e sim, alegria. Alegria, pois a oportunidade de retirar muitos da alienação e da cegueira está aí. Creio que demonstrar indignação, é dar credibilidade. Ainda existe uma larga classe média, que repete os pingos de tinta da Folha, como salmos.

Outrossim, ocorre que o regime militar instaurado para o Brasil, foi uma Ditadura, com certeza, para todos aqueles que se opuseram ao Regime. Quem sente o cravo e o chicote, quem sente a pele, o suor e as lágrimas, é a prova do fato.

Em oposto, para quem enxergou o sistema em vigor como um aliado, não sentiu uma Ditadura. Tinham noção e certeza que muitos brasileiros sofriam ao gritar pelo desejo de democracia, mas o regime para estes era brando. O regime ditatorial esteve com os pés fincados nas mesmas calçadas que a família Frias.

Relembrar é preciso:

“ Editorial: Banditismo
[Publicado em 22 de setembro de 1971]
Octavio Frias de Oliveira

A sanha assassina do terrorismo voltou-se contra nós.

Dois carros deste jornal, quando procediam ontem à rotineira entrega de nossas edições, foram assaltados, incendiados e parcialmente destruídos por um bando de criminosos, que afirmaram estar assim agindo em “represália” a noticias e comentários estampados em nossas paginas.

Que noticias e que comentários? Os relativos ao desbaratamento das organizações terroristas, e especialmente à morte recente de um de seus mais notórios cabeças, o ex-capitão Lamarca.

Nada temos a acrescentar ou a tirar ao que publicamos.

Não distinguimos o terrorismo do banditismo. Não há causa que justifique assaltos, assassínios e seqüestros, muitos deles praticados com requintes de crueldade.

Quanto aos terroristas, não podemos deixar de caracterizá-los como marginais. O pior tipo de marginais: os que se marginalizam por vontade própria. Os que procuram disfarçar sua marginalidade sob o rotulo de idealismo político. Os que não hesitaram, pelo exemplo e pelo aliciamento, em lançar na perdição muitos jovens, iludidos, estes sim, na sua ingenuidade ou no seu idealismo.

Desmoralizadas e desarticuladas, as organizações subversivas encontram-se nos estertores da agonia.

Da opinião pública, o terror só recebe repudio. É tão visceralmente contrario às nossas tradições, à nossa formação e à nossa índole, que suas ações são energicamente repelidas pelos brasileiros e por todos quantos vivem neste país.

As ameaças e os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta.

Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve.

E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social – realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama.

O Brasil de nossos dias é um país que deseja e precisa permanecer em paz, para que possa continuar a progredir. Um país onde o ódio não viceja, nem há condições para que a violência crie raízes.

Um país, enfim, de onde a subversão – que se alimenta do ódio e cultiva a violência – está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da Imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma Imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.

Porque, na verdade, procurando atingir-nos, a subversão visa atingir não apenas este jornal, mas toda a Imprensa deste país, que a desmascara e denuncia seus crimes.”

Para quem deseja se aprofundar, há um livro por muitos recomendado: “Cães de Guarda – Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988″, de Beatriz Kushnir. É um livro descrito como um “incômodo” para a mídia brasileira, pois conta histórias interessantes sobre os bastidores de jornais e emissoras de televisão durante o regime militar.

A Folha de São Paulo foi apenas coerente com a sua história.

De passagem

Eu estava a conversar a pouco com um amigo, e me veio em mente como é errado tratar pensamentos como uma coisa absoluta. Se hoje pensamos de maneira mais clara que anteriormente, apenas o futuro pode mostrar.

O som que se ouve é algo de 1969 – Nashville Skyline. O ponderado é sobre o futuro breve, os dias próximos de festa em Recife, em Olinda. Poder mergulhar nas ruas e ladeiras, em frevos, tambores e saltos.

Tenho diminuído em muito o ritmo de minha escrita, por razões de tempo e clareza. Mas é algo passageiro.

Atualização:

Não brinquei carnaval, mas pude pensar, refletir.

A expectativa se transfere, se adia – mas os momentos em família são eternos

2009

Não há nada melhor que o pouco grande particular
De se ter o dezembro para pensar, o janeiro para seguir
A sua praia, a sua casa, solidão, abrigado…
Por os pesos, as medidas, os tratados

Lanço à sorte, do que melhor posso.
Sem receber ou dar ordens

Mundo-estranho-com-gente-esquisita

Certas coisas, mesmo que muito nos esforcemos, passarão distantes de nossa compreensão. Não adianta se esforçar. Não gostaria de ser preconceituoso, mas comédias “pastelão” nunca tiveram para mim qualquer graça.

Do mesmo modo, existe um tipo de filme, o qual poderia ser nomeado em singular por “terror pastelão”. Seria a espécie de filme que explicita monstros que perseguem pessoas – zumbis, vampiros, aliens.

Por ocasião, está em vias de ocorrer um evento para admiradores deste excêntrico cinema, que inclusive, está sendo promovido aqui em Natal, no dia 20/12/2008. A coisa parece muito bem organizada, com um site bastante funcional e até diria muito bem feito. Trata-se da Zombie Walk, que segundo seu sítio é “um evento organizado por fãs de filmes de terror que ocorre há anos em diversas cidades do mundo, e consiste em uma multidão de pessoas fantasiadas de zumbi andando pela cidade por uma rota pré-definida.”

Eu imagino que não será um grandioso evento, e como já me disseram, só reunirá meia-duzia-de-gatos-pingados. Mas são interessantes, por exemplo, as dicas de maquiagem, de como parecer uma múmia, para quem quizer brincar em tempos de Halloween. Acho curioso gostar de algo como isto, e ao ponto de marchar nas ruas. Como diria o Márcio: “Vamos levar umas tábuas de madeira e bater neles – ninguém poderia reclamar – a gente que acreditou!”.

Centrando a falar sobre o que considero um bom filme de Terror, o último grande filme de terror que assisti, tem por título “Audition”. É um filme japonês, do diretor Takashi Miike. Apesar de utilizar em alguns momentos a estética do horror pela imagem bizarra, o faz de forma sutil e psicológica.

Em breve arrazoado, é um filme com duas partes completamente distintas, tendo a princípio, narrada a um ritmo lento, com um ambiente de mistério e estudo profundo de personagens, onde é contada uma história de amor; Percebe-se um drama romântico com um tom de violência psicológica e sofrimento humano, subjacentes.

A segunda parte do filme apresenta todos os traços característicos que definem o universo cinematográfico de Takashi Miike: Ultra-violência gráfica e o uso abusivo do horror puro, alternado com um jogo muito interessante de luzes e cores utilizados pelo diretor para enfatizar as cenas dos sonhos/alucinações, dos protagonistas.

Pode-se vir a não mergulhar na singularidade do filme, por não haver digestão de seu conteúdo violento, não sendo o tipo de filme que eu levaria alguém que não possua trato gástrico resistente.

Conta-se a história de Aoyama, um executivo de uma grande empresa, que submerso em uma grande solidão, sete anos após a morte da sua esposa, recebe a ajuda de um amigo cineasta, assiste a uma audição para a escolha de uma atriz, para o papel principal.

Essa audição tem indiretamente o propósito de encontrar uma possível esposa para Aoyama. Imediatamente, Aoyama fica fascinado por uma das moças, Yamazaki Asami, uma bela e misteriosa jovem com formação em Ballet. Apesar de Asami não ser selecionada para o filme, Aoyama liga-lhe e convida-a para jantar.

Para quem gosta de emoções fortes, é um excelente filme, acerca das relações do cotidiano, mesmo que aos olhos de outra cultura. E do horror que estas relações podem causar.

Amostra:

Se a farinha é pouca, meu pirão primeiro!

Natal é uma bela cidade, repleta de encantos naturais. Uma cidade cercada por dunas, com lindíssimas praias, e um ar ainda interiorano em muitos aspectos. Uma coisa, entretanto, anda me perturbando bastante nos últimos dias – o transito urbano se torna cada vez mais caótico.

Com a expansão econômica, e a ascensão de milhares de pessoas para a dita classe média, o número de veículos vendidos disparou, de forma que o projeto urbano não comporta a totalidade de veículos que vagam pelas ruas. O problema de Natal, ainda é ínfimo em relação, por exemplo, ao de São Paulo, aonde existe inclusive o chamado “rodízio de carros”, e se chega a cogitar a criação de pedágios urbanos, em combate aos quilométricos engarrafamentos.

Tanto para a parte que compra o automóvel, quanto para a parte que vende o mesmo, está sendo efetuado um excelente negocio. Uma parte vai dispor das facilidades decorrentes do usufruto de um sonho de consumo, enquanto a outra terá o seu bolso cevado pelos lucros obtidos.

Nenhuma das partes chega em qualquer momento, a considerar qual é o reflexo deste negócio, para com a sociedade. Entretanto, aumentando o número de veículos nas ruas, o transito se torna insuportável, o consumo de combustíveis fosseis aumenta, a poluição explode, atingindo a vida de todos. Os efeitos são nocivos à saúde, e podem ser sentidos por quem não possui um automóvel, como problemas respiratórios ou dermatológicos. E quem paga a conta disto somos todos nós, a saúde pública é mantida com os impostos que pagamos!

Retirando o controle do Estado sobre a circulação de veículos na já caótica São Paulo, ocorreria um desastre – os engarrafamentos, que no cotidiano, com rodízio e tudo chegam a atingir mais de 90 km, parariam a cidade. Ninguém conseguiria trabalhar, estudar.

Da mesma forma, quando ocorre uma transação no mercado financeiro, duas empresas avaliam principalmente os benefícios que uma determinada transação produz. Avaliam, também, os riscos que as respectivas empresas sofrem em suas apostas – mas em nenhuma estação, avaliam os efeitos decorrentes deste negocio para o mercado financeiro em vasto e legítimo.

Assim como São Paulo acabaria sem a intervenção do Estado, sem esta, explodiu a presente crise mundial. Agradeçamos a todos os neoliberais, que defenderam a “excelência dos mercados”, a sua imensa capacidade de auto-regulação. Eles atualmente se escondem, e quando qualquer um deles grunhir, eles defenderão as mesmas medidas tomadas após o fracasso da Republica e Weimar, e que resultaram na ascensão nazista, medidas falhas também no intento de combater a depressão dos anos 30: A redução do gasto público.

Defender o Neoliberalismo, é defender o “Estado Mínimo”. É desejar que a entidade responsável por defender os cidadãos de si próprios, seja frágil, que a lei do mais forte impere, que se estabeleça a lei da selva.

A redução dos gastos públicos, no presente momento, é defendida pelo “grande pensador” Fernando Henrique Cardoso, em matéria da Folha Online, publicada no portal UOL:

“O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que a crise que assola os mercados financeiros de todo o mundo irá crescer de forma exponencial no Brasil em 2009 e condicionou o enfrentamento dela a medidas de contenção de gastos do governo federal.

“A crise está apenas começando, essa crise é séria, o centro dela não é aqui é lá fora, mas ela já nos alcançou e vai alcançar mais. O ano que vem será um ano difícil. Eu vou ver se o governo do presidente Lula contornará a crise se tiver responsabilidade fiscal” disse.

O ex-presidente está em Belo Horizonte para ministrar palestra e deu a declaração no palácio das Mangabeiras, residência oficial do governo estadual, onde está desde ontem à noite, a convite do governador Aécio Neves (PSDB).

Para FHC, o governo federal aumentou muito o gasto com pessoal baseado no crescimento da arrecadação de impostos. O ex-presidente considerou temerária essa opção do governo Lula.

“Até agora, o governo aumentou muito o gasto público, especialmente com pessoal, como se a arrecadação fosse crescer indefinidamente. Agora que vão começar a haver as dificuldades. Então, daqui para frente que nós vamos ver saber se o governo vai ser capaz de administrar, não tanto a
crise, mas as conseqüências da crise”, avaliou.

Cardoso revelou esperar do presidente Lula habilidade para enfrentar a crise econômica para que o desemprego no país não se agrave no ano que vem.

“Se (o governo federal) não manobrar muito bem (medidas anti-crise), vai aumentar o desemprego, e quem no Brasil quer isso? Eu não quero isso, eu não quero ver o povo sofrendo. Eu acho que nós devemos ajudar ao máximo o Brasil a contornar a crise”, afirmou.”

“A quem interessa?”

Quando alguém defendeu o estado mínimo, e este se mostra um grande fracasso, quais as suas opções, além de torcer por um fracasso maior?

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