Nossos Juristas dançam como bailarinas italianas.

O caso do italiano Cesare Battisti atinge de maneira direta a dignidade de nossa Justiça. Em um mundo de Guerra Fria, os seus atos eram políticos. O Brasil possui tradição de conceder refugio político tanto a elementos de direita, quanto de esquerda, e Juiz nenhum deve ousar julgar se um elemento será um Mandela, ou um Pinochet – a realidade histórica de outro país deve ser julgada por sua própria memória, por seu povo. Lula que o diga.

O que mais arde em meus olhos, é que eles não consideraram atos políticos, os atos que um réu julgado a revelia, em momento de lei de excessão, atos com a finalidade de tomar o poder, ocasionar um Golpe de Estado, ressalto. Para demonstrar os valores de nosso judiciário, cabe uma analogia com o seguinte filme chileno:

Enfim, o mundo era completamente diferente. Acho que o Código Comercial do século XIX, que regulava a venda de escravos até 2001 não foi substituído anteriormente por saudosismo de nossos juristas…

A verdade, é que a função de chefe de Estado foi invadida pelo STF, com a clara intenção política de atingir o prestígio e causar embaraço ao Presidente Lula. Este, não poderia dar simplesmente maior lição em retorno, do que evitar uma crise institucional, sendo um estadista:

http://mais.uol.com.br/view/381777

Lirismo Psicodélico

Buscando por poesias, li no blog de Willian Rosa – o qual naveguei por um agradável acaso – o seguinte “Soneto XVII”:

Soneto XVII
Pablo Neruda

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

É o tipo de sentimento em ler algo tão belo, que deveria vir com o aviso “aprecie com moderação”

A vida é bela

Apesar de tudo…

“Mime versus Junkie” é uma curta metragem, produção da Vancouver Film School.

Autocrítica (para mim e para ti)

O “Bode Expiatório” é um termo originário das tradições hebraicas, quando um animal era deixado só na natureza selvagem, como parte das tradições do Yom Kippur. Este fato ocorria no Dia da Expiação, à época do Templo de Jerusalém. Hoje em dia este termo é utilizado para designar alguém escolhido aleatoriamente para ser culpado por algo que não tem culpa. Este termo ainda possui outros significados em face ao Torá, e à tradição cristã, sendo vista por esta última como um prenuncio da chegada de Jesus no mundo – “Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós”.

“Boi de piranha” é uma expressão que vem da criação de gado e da vida do vaqueiro. Quando este precisa levar a manada a cruzar um rio infestado de piranhas, utiliza o boi mais frágil ou doente e o atiram sangrando ás águas. Enquanto o cardume de piranhas é atraído pelo odor do sangue, o restante da manada atravessa sem perigo.

As pessoas neste mundo não sabem lidar com a culpa, com a frustração, e comumente para aquilo que mais lhe é conveniente utilizam esta pratica hipócrita para aplacar conjunturas e conformidades.

O ser humano muito evoluirá quando aprender que num estágio inicial de evolução, busca culpar a terceiros, num intermediário, a criatura se culpa. O evoluído não culpa ninguém, e consegue seguir em frente com a cabeça erguida.

ARTHUR VIRGÍLIO recebe o “Troféu AGRIPINO MAIA”

Não nutro simpatia pelo Senador Renan Calheiro, ex-Ministro de FHC, e que teve recentemente enquanto ocupava a Presidência do Poder Legislativo a sua vida publica e pessoal reviradas pelos Frias, Marinho, Civita, Papagaios Afins, e pela DIREITONA BRASILEIRA (DEM, PSDB).

Ele é o típico coronel que tanto cria chagas a cada Estado do Nordeste, que tem suas bases de poder e aliança local, e que há mais de uma década não larga o osso do governo. A referência título “Trofeu AGRIPINO MAIA”, é referência a outro conhecido coronel, porém mais condizente com a sua história iniciada no berço da ARENA, e que qualifica a conduta comum dos aurautos do apocalipse, que torcem contra o mais bem aprovado governo do globo.

Pois então, que em reflexo a uma afirmação pretérita de Renan Calheiros, Arthur Virgílio bufa:

“Eu acho que é dever do senador Renan Calheiros , sob pena de prevaricação, declinar o nome do senador. Temos que começar a aclarar as coisas, porque é um absurdo que alguém mantenha um presidiário vivendo à custa do Senado”

E assim se vê mais uma vez que o dito cujo Senador era o Marco Maciel, Vice-presidente de Fernando “esqueçam tudo o que escrevi” Henrique “aposentado é tudo vagabundo” Cardozo. Se durante a crise envolvendo Sarney ninguém ouviu um piu do senador Marco Maciel, agora é que não ouvirá mesmo. Segundo a assessoria do nobre Senador, o servidor João Paulo Esteves Coutinho era lotado em seu gabinete.

Os fatos arrematam cristalinamente que o ponto de freqüência foi falsificado e gente do PFL, parente do apenado, recebeu o seu salário através de procuração de 1991 a 1996. Maciel afirma não ter notado a ausência do funcionário. Alguém se lembra de professor de jiu-jitsu e de curso no exterior?

Se esta oposição tupiniquim tivesse um “Gran Cuñado” satirizando…

Vamos rir?

Pena de quem nunca passou por isso

  • Um poema de amor

Charles Bukowski

todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.

sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.

todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

Caixa de fósforos

Poucas coisas conseguem desarmar o meu alvo. Nas conversas mais tensas e dissonantes, é onde o debate me dá o maior prazer, quando ao fechar das cortinas, não há para onde fugir, quando uma inteligência e um desapego à convicção pura se casam.

Infelizmente, em amplo e absoluto, quanto mais uma criatura sabe o tamanho da inteligência que tem, menos consegue ter abnegação. É um lamento meu, um clamor por pessoas inteligentes e humildes.

Para falar a verdade, é como se eu quisesse ver em cada pessoa um poeta que entoa seus versos em companhia de uma caixa de fósforos. Cartola e Leci Brandão expressam bem este particular:

Quanto mais eu conheço a grande Mídia e o PSDB, mais eu gosto de cães.

Eu não gosto do PSDB – acho em verdade o PSDB até pior do que o PFL. Os Democratas, todos sabemos que são um agrupamento de Políticos oriundo da ARENA, nós sabemos do que são capazes. Mas o PSDB, é de gênese PMDB de São Paulo, do partido daqueles que eram apenas uma dissidência entre “os heróis da redemocratização”!!!(?)

Tem certas coisas, entretanto, que o tempo mostra um aprendizado no estágio falho: O Plano Real foi ótima idéia, e de capaz aplicação, com ótimos índices nos dois primeiros anos; tivemos alguns abalos, mas íamos bem. De repente, me lembro da segunda campanha eleitoral de FHC, a segunda que ele venceu no primeiro turno, percebo que Lula dizia que “O Plano Real era eleitoreiro”.

Naquele momento, eu não compreendia como hoje, que não eram apenas as crises internacionais, e a herança maldita dos militares, Sarney, e Collor (razões bradadas por toda a imprensa na época para a estagnação, sucateamento do público, crises e privatizações), mas principalmente ter mantido artificialmente por quatro anos o cambio entre o Dólar e o Real em paridade, e artificialmente, o que causou todo aquele problema economico no Brasil.

As enchas e chegadas do capital especulativo brincavam de explorar o lucro sobre a paridade, criavam-se dívidas em títulos que tinham logo de ser saldados. Mais dinheiro saía em maior volume do que entrava, por nossos juros exorbitantes, e quem pagava por não utilizar a lei da oferta e procura era o Estado.

Como eu dizia, FHC acusou Lula de liberar o cambio se ganhasse, mas ao ganhar, foi ele que o fez. Você saber que uma coisa é necessária, e a postergar para que sua turma lucre junto aos gringos em detrimento do Brasil, mostra mais do costume e do estilo de Fernando Henrique Cardoso do que chamar os aposentados de vagabundos? Mesmo se você que chamou tem duas aposentadorias?

Hoje, quem acompanha e se informa através da blogsfera, sabe que Serra dinamitou a candidatura de Roseana Sarney, e sabe também que este entrevero todo com o José “sou nome de todo tipo de lugar no Maranhão” Sarney é apenas mais uma prova da inimizade do ex líder estudantil José Serra, com José Sarney. Serra precisava ser o único candidato viável da direita, então a mídia e a Polícia Federal deram uma batida e armaram o circo por gente podre de rica e poderosa ter dinheiro no cofre da empresa.

Neste particular, ressalto, o ônus da prova é de quem acusa… Quem acusa é que tem que provar que há ilícito, e ter dinheiro quando se é muito rico e poderoso não é crime (a gente vive no Brasil né?). A Polícia Federal era utilizada para combater adversários políticos, enquanto hoje tenta prender “probres” banqueiros condenados por tentativa de suborno (eles só queriam que parassem de investigá-los, estavam descobrindo muita coisa, e isto é chato, oras!)

O que me deixa feliz e orgulhoso, é no momento conseguir ver que Lula e o PT não vão bronquear com Marina da Silva e tentar lhe impedir de sair, ou retaliar tirando o seu mandato de Senadora. Eles vão nos permitir ter o sonho de um segundo turno sem Serra e o PSDB.

Músicas de minha infância

Em casa, recebemos nossas primeiras influências musicais, e dentre as minhas melhores, está o Bolero de Ravel – composto por Maurice Ravel, foi tecido inicialmente para um ballet. No lúdico de minha infância, sempre que ouvia esta música, imaginava qualquer aventura. Meu irmão mais novo (Daniel) chama esta música de “a música de Digimon”. Enfim, apenas uma breve divagação:

O seu característico e constante ritmo, a sua crescente, enfim, esta obra é perfeita para mim.

Poema sem título escrito para a primeira namorada

Em volume, tinha saudade da amada
Dor, moléstia extensa, ele sentia
Essencial como o sol, lhe arrematava
Por lacuna, a doce flor não existia

Em sonho ou transe, ele a aguardava
A presença da paz que lhe transmitia
Compleição da querida e desejada
Pela fleuma, sentido que bastava

Entretanto, demonstrou sertão e ilusão
Vago devaneio a saudade
De valor, atribuído em particular
O retorno, ratificou a agonia
Não havia o que tanto ansiava

Imaginação, em singular apenas – constatou
Cristalizou apenas utopia
Longos anos, em areia transformados
Não sabia, que em outrem, a si buscava
Preservou os seus princípios, persistia
A vontade que no mundo rareava

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