R.I.P.

O blog está inativo, já faz tempo.

Venho então deixar patente que não publicarei mais nada por aqui.

De todo modo, o autor continuará a publicar textos no seguinte endereço.

Abrigado a todos, abraços, e adeus (ou até logo)

Quem morre?

Morre lentamente

quem se transforma em escravo do hábito,

repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca

Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente

quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente

quem evita uma paixão,

quem prefere o preto no branco

e os pingos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções,

justamente as que resgatam o brilho dos olhos,

sorrisos dos bocejos,

corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente

quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,

quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,

quem não se permite pelo menos uma vez na vida,

fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente

quem não viaja,

quem não lê,

quem não ouve música,

quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente

quem destrói o seu amor-próprio,

quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente,

quem passa os dias queixando-se da sua má sorte

ou da chuva incessante.

Morre lentamente,

quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,

não pergunta sobre um assunto que desconhece

ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

 

Evitemos a morte em doses suaves,

recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior

que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos

um estágio esplêndido de felicidade.

 

Pablo Neruda

Sobre terrorismo, poesia e mentiras

O terrorismo é o último recurso dos desesperados. Quando o vilão desesperança é maior que a dama expectativa e não existe mais a probabilidade de sonhar o recurso é a loucura ou o suicídio.

Um ato de terrorismo seria uma tática política com uso de violência em tempos de paz, feridade física ou psicológica contra a ordem estabelecida, de modo que o arrasamento psicológico ultrapasse vastamente o círculo das vítimas, para incluir o resto da população do território. Seria então uma luta de indivíduos ou grupos políticos contra um governo, chegando a atacar a população que o legitimou.

Aceitar que este ser (o terrorista) seja simplesmente um louco sádico em sanha e sede por sangue, é esquecer-se de analisar o mundo e as condições históricas, sociais, em que ele está inserido. É não ver um mundo em que o preto e o branco se mesclam e misturam – aonde o maniqueísmo de heróis e vilões sorri como o comercial de instituição bancaria ou de margarina, que passa entre os blocos da novela das oito. É sempre importante pilotar a própria mente.

Neste particular, teria a propriedade poética de um grito de um faminto. Mas de qual fome se fala? Qual o apetite, quem é o fominha ou o mesquinho? A fome de liberdade pode ser enganada com pão e circo, mas mesmo assim não a matam. O terror não é o oposto da democracia, não é antônimo de liberdade, mas foi em verdade a arma utilizada por muitos povos para alcançá-la. O terrorismo precisa de tiranos que impeçam mudanças que a massa grita ao imaginar. O Terrorismo assim seria filho da violência com a opressão, e existiria enquanto seus pais viverem; seria irmão da guerrilha e da revolução. Emitiria um constante choro para que seus irmãos acabem com o seu sofrimento.

A problemática consiste nos fascistas às avessas, que se apropriam da verdade para utilizá-la a seu interesse, libidinagem e luxúria. O terrorista para o alienado político é um vilão perigoso, pronto para ludibriar jovens sonhadores, levá-los ao mau caminho. É tática atual na presente campanha presidencial atribuir a quem lutou contra a ditadura o rótulo de terrorista, apesar do fato de quem atacou o povo foram os próprios militares, através de censura, tortura, ou carros com explosivos no Riocentro.

Não convém analisar o mérito de qual é o problema, aonde está a causa, qual são os objetivos e quais são os efeitos.

Não, os fascistas às avessas não possuem vergonha ao publicar fichas falsas de institutos de repressão na primeira página de seus jornais, nem mesmo a ambição de desnudar o demônio chamado terrorismo de estado, situação de ultra-violência aonde os jornais tinham um faturamento e importância deveras maior que na atualidade. Eles se comportam como meninos mimados longe de seus brinquedos.

Na atual campanha, eles em desespero distorcem pesquisas de intenção de votos, e inclusive fazem uso destas para preparar o último recurso para chegar ao poder: Já que não é possível desmerecer o trabalho da candidata Dilma Rousseff, sua competência e qualidades, resta a mentira de que ela é uma comunista sanguinária, enquanto ela lutava pela democracia. Não obstante, o Presidente Lula ao comparar Dilma Rousseff com Nelson Mandela acertou em cheio. Os poderosos desde sempre utilizam o rótulo de “terrorismo” para desqualificar as lutas populares. Os EUA caracterizavam Nelson Mandela como terrorista ainda em 2008, nove anos depois que Mandela havia concluído sua presidência na África do Sul. Os fascistas às avessas não sentem vergonha ao mentir.

pior de tudo

O pior de tudo
É que eu estou incolume
Sem pressagios e sem perseguidores
Me sinto seguido
Mas não sentido
Querido, quisto
Mas não amado
Visto, vívido, mas não clamado
E sim sofrido
Poesia sem sentido
Sem chamado

Os calos de quem me enterra

O calo

Na mão, pelo esforço

Com o suor na face, com o rosto rubro

Para a minha boca, pelas palavras

Em meu vulto, pelo dito

E mesmo assim, não me arrependo

Em meu peito, pelo sofrer

Ainda tenho muito a caminhar

Em meu espírito, por não arder

Em minha vergonha, por me calar

Minha mente calejada, pelas palavras que teimam em sair, dos calos de meus dedos. Ela precisa saber, que apesar de tudo, os meus limites só eu que imponho. Ou você.

Eu já me culpei por te permitir isso. Mas não o devo.

Mas pluralmente, confiar é um laço. Desejar é um martírio. Tolerar é um aprendizado. E morrer? Morrer, é apenas mais um calo. Meu coração calado, minha boca fechada, meu passado em silencio.

O que me perturba, não é a morte em si. Em real e amplo, é o fato de que não aprenderei tudo o que deveria, e ainda esquecerão de quem eu sou. Em primeiro lugar, acho que não vão querer me cremar. Em segundo plano, vão se esquecer de quase todos os meus defeitos…

E quem sou eu sem meus defeitos? Quem sou eu sem meus erros? Quem sou eu, sem meus calos? Sem meu pior inimigo, eu não sou nada. Ele me ensinou tudo.

É como um homem calado. É como uma história sem anti-herói. É como um homem sem calos. Caixão barato, por favor!



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