Arquivo para novembro \28\UTC 2008

Os calos de quem me enterra

O calo

Na mão, pelo esforço

Com o suor na face, com o rosto rubro

Para a minha boca, pelas palavras

Em meu vulto, pelo dito

E mesmo assim, não me arrependo

Em meu peito, pelo sofrer

Ainda tenho muito a caminhar

Em meu espírito, por não arder

Em minha vergonha, por me calar

Minha mente calejada, pelas palavras que teimam em sair, dos calos de meus dedos. Ela precisa saber, que apesar de tudo, os meus limites só eu que imponho. Ou você.

Eu já me culpei por te permitir isso. Mas não o devo.

Mas pluralmente, confiar é um laço. Desejar é um martírio. Tolerar é um aprendizado. E morrer? Morrer, é apenas mais um calo. Meu coração calado, minha boca fechada, meu passado em silencio.

O que me perturba, não é a morte em si. Em real e amplo, é o fato de que não aprenderei tudo o que deveria, e ainda esquecerão de quem eu sou. Em primeiro lugar, acho que não vão querer me cremar. Em segundo plano, vão se esquecer de quase todos os meus defeitos…

E quem sou eu sem meus defeitos? Quem sou eu sem meus erros? Quem sou eu, sem meus calos? Sem meu pior inimigo, eu não sou nada. Ele me ensinou tudo.

É como um homem calado. É como uma história sem anti-herói. É como um homem sem calos. Caixão barato, por favor!

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